Bairro de origem simples abrigará o novo centro administrativo do governo de Minas
Quem diria que um bairro de origem tão humilde, localizado entre comunidades carentes da zona norte da capital, se tornaria palco da obra de construção do novo centro administrativo de Minas Gerais? O Serra Verde se originou a partir do loteamento de terras das antigas fazendas existentes naquela região. Uma das principais propriedades era a fazenda Serra Verde pertencente à família Naves, a qual deu nome ao bairro.
Até a década de1960, a população do Serra Verde se resumia aos donos e trabalhadores das fazendas. Apenas ao fim dessa década, começaram a chegar pessoas em busca de moradia própria, pois a região central de Belo Horizonte se tornara cada vez mais inacessível, devido à supervalorização dos imóveis.
Segundo Inês Maria de Carvalho, presidente da Associação de Moradores e residente no bairro há 39 anos, foi a empresa Predial Coimbra Tocantins que interveio na negociação dos primeiros terrenos. A Predial também contribuiu com a mobilização dos moradores, para a chegada de luz elétrica e água encanada às residências. A partir de 1975, a estrutura do bairro começou a se transformar completamente, com o aumento no número de moradores, construção da Escola Municipal José Maria Alkimim, primeira instituição de ensino do bairro, e a inauguração dos primeiros prédios do conjunto Serra Verde.
A obra que começou no primeiro semestre de 2006 e tem o prazo até o ano que vem para ser concluída, se realiza no local onde antes funcionava o antigo Jóquei Clube de Minas Gerais. O local foi declarado de utilidade pública por um decreto assinado pelo Governador Aécio Neves em fevereiro de 2006.
Os dois lados da moeda
A nova sede administrativa terá um parque ecológico com uma grande área de preservação ambiental. Os representantes da comunidade reivindicaram uma área de lazer aberta ao público. Porém, o Governo do Estado pretende fazer um parque fechado e com visitação restrita mediante agendamento. O padre José Haroldo, da Paróquia de São Sebastião e Santa Edwiges, afirma que está tentando, juntamente com a associação de moradores, convencer o governo a incluir a área solicitada no projeto, mas reconhece que “é muito difícil competir com o Estado, o Estado é uma máquina”.
No início da construção, a notícia da novidade foi bem aceita entre os moradores, pois muitos se queixavam da degradação do ambiente do antigo Jóquei. Mas, após alguns meses, como confirma Inês Maria, as famílias mais pobres passaram a se preocupar com problemas futuros, como o aumento do IPTU e as modernizações realizadas para a instalação do Poder Executivo.
A representante comunitária sente que o bairro irá perder sua identidade, “Aquelas casinhas humildes não vão mais existir aqui, eu creio que tudo vai mudar, então, isso põe a gente um pouco triste e apreensivo”, afirma. Ela ainda reclama da falta de respeito dos administradores da obra, que nem sequer avisaram a comunidade sobre a retirada de algumas famílias.
No entanto, Julieta Monteiro dos Santos, moradora do Serra Verde há 50 anos, diz que todos os terrenos que foram desapropriados eram invadidos. Nenhum era comprado legalmente. Ela acredita que a vinda da administração do Estado para o bairro irá contribuir para o desenvolvimento da estrutura de transportes, urbanização e segurança. Ainda afirma que não se importaria de mudar do bairro, desde que paguem o preço justo pelo seu imóvel.
Divergências à parte, o fato é que os olhos de Minas estão voltados para a região de Venda Nova. A implantação do Novo Centro Administrativo atrairá muitos investimentos para a região, que se tornará uma vitrine dos Mineiros. O local está às margens da Linha Verde e divide os municípios de Belo Horizonte, Santa Luzia e Vespasiano. A antiga fazendinha Serra Verde será, provavelmente, o bairro mais famoso da capital.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
A imagem feminina
Hoje em dia a imagem feminina não é das melhores. Antigamente a mulher queria sair de casa para trabalhar, ou seja, ser independente. Algumas conseguem trabalho digno, outras não.
A imagem da mulher na mídia está sendo muito vulgarizada. Em propagandas de cerveja esse índice é maior. O dono da marca expõe a mulher seminua para vender o produto, dando a entender que se as pessoas, ou melhor, o homem comprar o produto terá o mesmo prazer que uma mulher pode proporcionar. Os vendedores não estão mais interessados em falar a qualidade do produto e sim colocar uma mulher seminua nos cartazes.
Mas não é só em propagandas publicitárias que a mulher é exposta. Nas músicas também, por exemplo: “Eguinha Pocotó”, “as cachorras” etc.
Vamos nos conscientizar por que senão daqui uns anos a mulher não vai passar de um objeto sexual.
Obs: O autor deste texto é o meu irmão mais novo, Diogo H. Matos
A imagem da mulher na mídia está sendo muito vulgarizada. Em propagandas de cerveja esse índice é maior. O dono da marca expõe a mulher seminua para vender o produto, dando a entender que se as pessoas, ou melhor, o homem comprar o produto terá o mesmo prazer que uma mulher pode proporcionar. Os vendedores não estão mais interessados em falar a qualidade do produto e sim colocar uma mulher seminua nos cartazes.
Mas não é só em propagandas publicitárias que a mulher é exposta. Nas músicas também, por exemplo: “Eguinha Pocotó”, “as cachorras” etc.
Vamos nos conscientizar por que senão daqui uns anos a mulher não vai passar de um objeto sexual.
Obs: O autor deste texto é o meu irmão mais novo, Diogo H. Matos
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Serra, duas realidades bem distintas
Em uma mesma região de BH, muitas desigualdades e nenhum diálogo entre ricos e pobres
De um lado, barracos amontoados uns sobre os outros, vielas de terra sem sinalização, botecos, feirinhas na calçada e minimercearias. No outro, um cenário muito diferente. Ruas de mão única, carros importados, prédios sofisticados com fachadas de mármore, casas grandes, bonitas e bem acabadas, hospitais e escolas com ótima estrutura. O aglomerado e o bairro da Serra, região centro-sul de Belo Horizonte, refletem bem os contrastes sociais do Brasil.
Segundo o Distrito Sanitário Centro-Sul e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social , a população do aglomerado varia de 37.641 a 45.920 pessoas. Com respeito à urbanização, a situação dessas comunidades já foi pior. Houve um grande progresso depois da implantação do Vila Viva, um projeto da PBH que visa revitalizar as favelas através de obras de urbanização. “Só começou a melhorar depois que o PT ganhou a prefeitura”, é o que garante dona Dalila, presidente de três Associações de moradores do aglomerado e que reside ali há 63 anos.
Mas ainda há muito que melhorar. São 11 vilas e apenas duas escolas municipais - Prof. Edison Pisani e Senador Levindo Coelho – Que só atentem alunos da primeira a quarta série. Para completar seus estudos, eles precisam caminhar até a Escola Estadual Augusto de Lima, no bairro vizinho, Funcionários. Sendo que, distante dois quarteirões dali, se encontra o Colégio Sagrado Coração de Maria, uma das mais tradicionais escolas particulares de Belo Horizonte.
Nessas duas últimas escolas, o término das aulas coincide, e assim os alunos de uma e de outra se encontram com freqüência. No entanto, Alessandra, 15 anos, que estuda no Augusto de Lima e mora na favela, disse que, “salvo uma ou outra exceção, não existe nenhuma amizade ou conversa entre nós e eles”.
A diretora do Colégio Sagrado Coração de Maria, Maria de Lourdes Carloni, revela que, há alguns anos, havia atritos entre os estudantes, “aconteceram até agressões físicas por parte dos alunos do Augusto de Lima”, afirma. Essa situação teria melhorado quando um dos funcionários do Sagrado Coração de Maria decidiu convidar os adolescentes da outra escola para conversar. A partir daí as brigas teriam acabado.
Atualmente, a escola recebe alguns alunos do Augusto de Lima nos fins de semana, para atividades esportivas e aulas de computação. Ainda segundo Maria de Lourdes, os alunos que se destacam até a oitava série, recebem bolsas de estudos para cursarem o 2º Grau no Sagrado Coração. Uma iniciativa muito nobre que, porém, não é divulgada aos pais dos alunos, por receio de represálias. 70 a 80% dos alunos dessa escola são de classe alta e há poucas crianças negras matriculadas.
Diálogo apenas de forma ilícita
Para o estudante de psicologia Gilberto Lemos, morador da área nobre do Serra (próximo ao restaurante Villa Rizza), praticamente não existe interação entre ricos e favelados. Ao falar da convivência entre ele e seus vizinhos ricos, revela: “A maioria deles eu nem conheço, como todos tem sítios ou chácaras em outros lugares, quase não os vejo”. Bem diferente da realidade do aglomerado, onde praticamente todos se conhecem. Gilberto nem mesmo sabia da existência de uma Associação de moradores em seu bairro.
Segundo a psicóloga do projeto Criança Esperança, Letícia Soares, os jovens da favela acreditam que pertencem a um mundo diferente dos do asfalto. “Na visão deles, eu mesma não faço parte desse mundo”. Liliani Grossi, Gerente da unidade do Centro de Saúde São Miguel Arcanjo, na parte alta do aglomerado, afirma que a única interação entre os jovens do morro e os do asfalto, “é quando esses últimos vão à favela para comprar drogas”.
A auxiliar administrativa da Escola Edson Pisani, Carmem Lúcia Vilhena, diz que, uma das principais razões pelas quais as crianças do morro caem na marginalidade, é a falta de uma estrutura familiar. “Há muitas mães solteiras no morro, que trabalham e deixam seus filhos aos cuidados de parentes”. Os meninos crescem sem um referencial paterno e presenciam constantemente as ações do narcotráfico – assim, muitos escolhem o caminho mais fácil para ganhar seu sustento: o crime.
De um lado, barracos amontoados uns sobre os outros, vielas de terra sem sinalização, botecos, feirinhas na calçada e minimercearias. No outro, um cenário muito diferente. Ruas de mão única, carros importados, prédios sofisticados com fachadas de mármore, casas grandes, bonitas e bem acabadas, hospitais e escolas com ótima estrutura. O aglomerado e o bairro da Serra, região centro-sul de Belo Horizonte, refletem bem os contrastes sociais do Brasil.
Segundo o Distrito Sanitário Centro-Sul e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social , a população do aglomerado varia de 37.641 a 45.920 pessoas. Com respeito à urbanização, a situação dessas comunidades já foi pior. Houve um grande progresso depois da implantação do Vila Viva, um projeto da PBH que visa revitalizar as favelas através de obras de urbanização. “Só começou a melhorar depois que o PT ganhou a prefeitura”, é o que garante dona Dalila, presidente de três Associações de moradores do aglomerado e que reside ali há 63 anos.
Mas ainda há muito que melhorar. São 11 vilas e apenas duas escolas municipais - Prof. Edison Pisani e Senador Levindo Coelho – Que só atentem alunos da primeira a quarta série. Para completar seus estudos, eles precisam caminhar até a Escola Estadual Augusto de Lima, no bairro vizinho, Funcionários. Sendo que, distante dois quarteirões dali, se encontra o Colégio Sagrado Coração de Maria, uma das mais tradicionais escolas particulares de Belo Horizonte.
Nessas duas últimas escolas, o término das aulas coincide, e assim os alunos de uma e de outra se encontram com freqüência. No entanto, Alessandra, 15 anos, que estuda no Augusto de Lima e mora na favela, disse que, “salvo uma ou outra exceção, não existe nenhuma amizade ou conversa entre nós e eles”.
A diretora do Colégio Sagrado Coração de Maria, Maria de Lourdes Carloni, revela que, há alguns anos, havia atritos entre os estudantes, “aconteceram até agressões físicas por parte dos alunos do Augusto de Lima”, afirma. Essa situação teria melhorado quando um dos funcionários do Sagrado Coração de Maria decidiu convidar os adolescentes da outra escola para conversar. A partir daí as brigas teriam acabado.
Atualmente, a escola recebe alguns alunos do Augusto de Lima nos fins de semana, para atividades esportivas e aulas de computação. Ainda segundo Maria de Lourdes, os alunos que se destacam até a oitava série, recebem bolsas de estudos para cursarem o 2º Grau no Sagrado Coração. Uma iniciativa muito nobre que, porém, não é divulgada aos pais dos alunos, por receio de represálias. 70 a 80% dos alunos dessa escola são de classe alta e há poucas crianças negras matriculadas.
Diálogo apenas de forma ilícita
Para o estudante de psicologia Gilberto Lemos, morador da área nobre do Serra (próximo ao restaurante Villa Rizza), praticamente não existe interação entre ricos e favelados. Ao falar da convivência entre ele e seus vizinhos ricos, revela: “A maioria deles eu nem conheço, como todos tem sítios ou chácaras em outros lugares, quase não os vejo”. Bem diferente da realidade do aglomerado, onde praticamente todos se conhecem. Gilberto nem mesmo sabia da existência de uma Associação de moradores em seu bairro.
Segundo a psicóloga do projeto Criança Esperança, Letícia Soares, os jovens da favela acreditam que pertencem a um mundo diferente dos do asfalto. “Na visão deles, eu mesma não faço parte desse mundo”. Liliani Grossi, Gerente da unidade do Centro de Saúde São Miguel Arcanjo, na parte alta do aglomerado, afirma que a única interação entre os jovens do morro e os do asfalto, “é quando esses últimos vão à favela para comprar drogas”.
A auxiliar administrativa da Escola Edson Pisani, Carmem Lúcia Vilhena, diz que, uma das principais razões pelas quais as crianças do morro caem na marginalidade, é a falta de uma estrutura familiar. “Há muitas mães solteiras no morro, que trabalham e deixam seus filhos aos cuidados de parentes”. Os meninos crescem sem um referencial paterno e presenciam constantemente as ações do narcotráfico – assim, muitos escolhem o caminho mais fácil para ganhar seu sustento: o crime.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Projeto Leitura Para Todos desperta consciência literária em BH
O projeto Leitura para todos é uma iniciativa da Faculdade de letras da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, e busca aumentar o nível de leitura da população de Belo Horizonte. Isso se dá através da divulgação, nos ônibus, de poemas, crônicas, contos e outros gêneros literários dispostos em lâminas fixadas na parte de trás das poltronas. Gerenciado pelo programa A tela e o texto, o projeto conta com apoio da Reitoria da UFMG e da Fundação Municipal de Cultura.
Segundo Jairo Rodrigues, atual coordenador do projeto, a idéia para a criação do projeto Leitura para todos originou-se com uma viagem da professora Maria Antonieta Pereira à Argentina, em 2004, durante seu pós-doutoramento. “Durante um passeio de metrô, Maria Antonieta reparou que os argentinos lêem muito dentro dos vagões, e pensou que algo semelhante poderia ser feito no Brasil para incentivar a leitura”, comenta Jairo. Ainda segundo ele, ao chegar a Belo Horizonte, Maria Antonieta procurou a BHTRANS e apresentou sua idéia de difundir a literatura dentro dos ônibus. A proposta das lâminas veio depois e o projeto acabou se concretizando. São publicados textos de autores consagrados como Machado de Assis, Olavo Bilac e Almeida Garret, além de vários autores desconhecidos.
Ao longo desses quatro anos, o projeto foi monitorado através de uma pesquisa de opinião junto ao público. A pesquisa apontou uma aceitação muito grande dos textos pelos os usuários. Descobriu-se, porém, que os usuários não queriam ler apenas durante o trajeto dentro dos ônibus, eles queriam “possuir” os textos para ler onde desejassem.
Com base nessa informação, a professora Maria Antonieta decidiu dar um novo foco ao projeto. Ela lembrou-se de que havia visto, em Buenos Aires, um senhor que xerocava e grampeava livros, vendendo-os a baixíssimo custo nas ruas. Maria decidiu adaptar a idéia a fim de implantá-la em Belo Horizonte. A partir daí foi feita a seleção dos textos das lâminas e os próprios membros do programa financiaram, em 2005, a produção do livro “Poesia”. Outros sete livros foram produzidos nos anos seguintes, sendo que o último, “Leitura para Todos – Antologia”, foi lançado este ano. Os livros abrangem praticamente todos os gêneros literários e são vendidos a R$1,99 em bancas de revista, salões de beleza, padarias e outros estabelecimentos.
Maria José de Castro Alves, coordenadora da linha editorial do projeto, ressalta a importância desses livros com preços acessíveis à população de menor poder aquisitivo. “O indivíduo tem receio até de entrar em uma grande livraria, e não compra livro de poesia porque é muito caro”, afirma. Segundo ela, o valor do livro é destinado a cobrir apenas os custos gráficos, pois todo o trabalho de editoração, diagramação e revisão é desenvolvido voluntariamente por membros do programa A tela e o texto. Ressalte-se que a seleção dos textos é feita por membros com formação literária. Muitos deles são bolsistas da faculdade de letras financiados pela BHTRANS.
O projeto, que está completando quatro anos de existência, foi contemplado, em 2007, com o VIVALEITURA, o mais importante prêmio de incentivo à leitura do país (oferecido pelo MEC, MINC, OEI e Fundação Santilha), tendo concorrido com 1.854 projetos de todo o Brasil. A meta dos idealizadores é expandir o projeto a todas as linhas de ônibus da capital mineira. O próximo passo é a implantação das lâminas também nos metrôs da capital.
Autores desconhecidos que queiram participar do projeto podem enviar seus textos para o e-mail telatexto@ufmg.br. O material estará sujeito a uma rigorosa seleção e os textos escolhidos serão publicados nas lâminas dos coletivos, metrôs e, provavelmente, no próximo livro do projeto.
Segundo Jairo Rodrigues, atual coordenador do projeto, a idéia para a criação do projeto Leitura para todos originou-se com uma viagem da professora Maria Antonieta Pereira à Argentina, em 2004, durante seu pós-doutoramento. “Durante um passeio de metrô, Maria Antonieta reparou que os argentinos lêem muito dentro dos vagões, e pensou que algo semelhante poderia ser feito no Brasil para incentivar a leitura”, comenta Jairo. Ainda segundo ele, ao chegar a Belo Horizonte, Maria Antonieta procurou a BHTRANS e apresentou sua idéia de difundir a literatura dentro dos ônibus. A proposta das lâminas veio depois e o projeto acabou se concretizando. São publicados textos de autores consagrados como Machado de Assis, Olavo Bilac e Almeida Garret, além de vários autores desconhecidos.
Ao longo desses quatro anos, o projeto foi monitorado através de uma pesquisa de opinião junto ao público. A pesquisa apontou uma aceitação muito grande dos textos pelos os usuários. Descobriu-se, porém, que os usuários não queriam ler apenas durante o trajeto dentro dos ônibus, eles queriam “possuir” os textos para ler onde desejassem.
Com base nessa informação, a professora Maria Antonieta decidiu dar um novo foco ao projeto. Ela lembrou-se de que havia visto, em Buenos Aires, um senhor que xerocava e grampeava livros, vendendo-os a baixíssimo custo nas ruas. Maria decidiu adaptar a idéia a fim de implantá-la em Belo Horizonte. A partir daí foi feita a seleção dos textos das lâminas e os próprios membros do programa financiaram, em 2005, a produção do livro “Poesia”. Outros sete livros foram produzidos nos anos seguintes, sendo que o último, “Leitura para Todos – Antologia”, foi lançado este ano. Os livros abrangem praticamente todos os gêneros literários e são vendidos a R$1,99 em bancas de revista, salões de beleza, padarias e outros estabelecimentos.
Maria José de Castro Alves, coordenadora da linha editorial do projeto, ressalta a importância desses livros com preços acessíveis à população de menor poder aquisitivo. “O indivíduo tem receio até de entrar em uma grande livraria, e não compra livro de poesia porque é muito caro”, afirma. Segundo ela, o valor do livro é destinado a cobrir apenas os custos gráficos, pois todo o trabalho de editoração, diagramação e revisão é desenvolvido voluntariamente por membros do programa A tela e o texto. Ressalte-se que a seleção dos textos é feita por membros com formação literária. Muitos deles são bolsistas da faculdade de letras financiados pela BHTRANS.
O projeto, que está completando quatro anos de existência, foi contemplado, em 2007, com o VIVALEITURA, o mais importante prêmio de incentivo à leitura do país (oferecido pelo MEC, MINC, OEI e Fundação Santilha), tendo concorrido com 1.854 projetos de todo o Brasil. A meta dos idealizadores é expandir o projeto a todas as linhas de ônibus da capital mineira. O próximo passo é a implantação das lâminas também nos metrôs da capital.
Autores desconhecidos que queiram participar do projeto podem enviar seus textos para o e-mail telatexto@ufmg.br. O material estará sujeito a uma rigorosa seleção e os textos escolhidos serão publicados nas lâminas dos coletivos, metrôs e, provavelmente, no próximo livro do projeto.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Newton, em parceria com professor, promove viagens ao exterior para alunos
Os alunos do curso de negócios internacionais do Centro Universitário Newton Paiva, têm tido, nos últimos 2 anos, uma ótima oportunidade para conciliar a prática aos conhecimentos teóricos obtidos na sala de aula. O professor Cláudio de Souza vem promovendo, juntamente com a instituição, viagens para diferentes países da América do Sul, onde os estudantes visitam feiras e assistem palestras com profissionais da área.
A primeira viagem, para o Uruguai, ocorreu em maio de 2006. Na oportunidade Cláudio e seus alunos permaneceram 5 dias em Montevidéu, onde conheceram, dentre vários lugares, o porto livre, a zona franca (a maior da América Latina), e as sedes do MERCOSUL. A experiência causou um impacto muito positivo sobre os alunos, e houve um apelo, por parte deles, para que o projeto continuasse nos anos seguintes. Já no segundo semestre de 2006, foi feita a segunda viagem, dessa vez para a Argentina. A partir daí, a organização do projeto decidiu que as viagens seriam feitas uma vez por ano, por serem muito onerosas para os alunos, e também para que houvesse mais tempo hábil para planejá-las. A terceira e mais recente viagem, aconteceu no segundo semestre de 2007, e a bola da vez foi o Chile.
Segundo o professor Cláudio, apesar de o projeto ser voltado para a área de relações internacionais, não há restrições para que alunos de outras áreas participem. “Na última viagem nós tivemos o prazer de levar os alunos do curso de direito”, afirma. Ainda de acordo com ele, também não há restrição quanto ao período do curso. O entusiasmo dos estudantes foi tamanho, que vários deles chegaram a participar das três viagens realizadas até o momento, e já estão planejando irem à próxima, com destino a Lima, no Peru.
É uma experiência única para qualquer universitário. Conhecer um país diferente, outra cultura, outro idioma, ter contato com leis e legislações que vigoram fora do território brasileiro. “Os alunos do curso de espanhol tem, inclusive, a oportunidade de praticar o que aprendem em sala de aula”, ressalta Cláudio.
Segundo o professor, há planos mais ambiciosos em andamento para esse projeto. Já são feitos contatos com o México para uma provável visita e, nos próximos anos, a Newton espera poder contar com uma estrutura para promover viagens aos Estados Unidos e à Europa.
A primeira viagem, para o Uruguai, ocorreu em maio de 2006. Na oportunidade Cláudio e seus alunos permaneceram 5 dias em Montevidéu, onde conheceram, dentre vários lugares, o porto livre, a zona franca (a maior da América Latina), e as sedes do MERCOSUL. A experiência causou um impacto muito positivo sobre os alunos, e houve um apelo, por parte deles, para que o projeto continuasse nos anos seguintes. Já no segundo semestre de 2006, foi feita a segunda viagem, dessa vez para a Argentina. A partir daí, a organização do projeto decidiu que as viagens seriam feitas uma vez por ano, por serem muito onerosas para os alunos, e também para que houvesse mais tempo hábil para planejá-las. A terceira e mais recente viagem, aconteceu no segundo semestre de 2007, e a bola da vez foi o Chile.
Segundo o professor Cláudio, apesar de o projeto ser voltado para a área de relações internacionais, não há restrições para que alunos de outras áreas participem. “Na última viagem nós tivemos o prazer de levar os alunos do curso de direito”, afirma. Ainda de acordo com ele, também não há restrição quanto ao período do curso. O entusiasmo dos estudantes foi tamanho, que vários deles chegaram a participar das três viagens realizadas até o momento, e já estão planejando irem à próxima, com destino a Lima, no Peru.
É uma experiência única para qualquer universitário. Conhecer um país diferente, outra cultura, outro idioma, ter contato com leis e legislações que vigoram fora do território brasileiro. “Os alunos do curso de espanhol tem, inclusive, a oportunidade de praticar o que aprendem em sala de aula”, ressalta Cláudio.
Segundo o professor, há planos mais ambiciosos em andamento para esse projeto. Já são feitos contatos com o México para uma provável visita e, nos próximos anos, a Newton espera poder contar com uma estrutura para promover viagens aos Estados Unidos e à Europa.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Caso complicado
Ao que me parece, cada vez que a justiça dá a impressão de ter avançado no caso Isabella, surgem novos elementos que o deixam ainda mais nebuloso para a opinião pública. Isabella, 5, foi assassinada no último dia 29 de março. Segundo os laudos da perícia, a menina foi esganada e, em seguida, jogada do 6º andar do prédio onde moram o pai dela, Alexandre Nardoni, 29, e a madrasta, Ana Carolina Jatobá, 24. Até o presente momento, todas as evidências apontam o casal como responsável por essa barbárie.
Alexandre e Anna Carolina deram uma entrevista à rede Globo de televisão, no último domingo (20/04), que foi ao ar durante o “Fantástico”. Os dois negaram a autoria do crime e reforçaram a versão de seus advogados, de que uma terceira pessoa teria entrado no prédio na noite do crime. Alexandre chegou a dizer que prometeu, diante do caixão da filha, que não descansaria enquanto não encontrasse o assassino. Os dois “pareciam” bastante emocionados. Após a entrevista, um grande ponto de interrogação parece ter-se formado em torno do caso. Será que foram eles? É o que a maioria, ou grande parte dos brasileiros, deve estar se perguntando neste momento.
É bem verdade que o jornalista Valmir Salaro, que os entrevistou, foi muito bonzinho ao deixar de fazer perguntas contundentes, que poderiam ter feito com que o casal caísse em contradição. Essa atitude deixa margens a várias interpretações, inclusive a de que o repórter possa ter combinado a entrevista com os advogados do casal. Isso explicaria sua flexibilidade com os dois diante das câmeras.
Uma coisa me parece certa, a não ser que a polícia descubra uma prova cabal, que possa incriminar ou inocentar Alexandre e Ana Carolina, esse caso ainda terá muitos desdobramentos antes de ser definitivamente solucionado.
Alexandre e Anna Carolina deram uma entrevista à rede Globo de televisão, no último domingo (20/04), que foi ao ar durante o “Fantástico”. Os dois negaram a autoria do crime e reforçaram a versão de seus advogados, de que uma terceira pessoa teria entrado no prédio na noite do crime. Alexandre chegou a dizer que prometeu, diante do caixão da filha, que não descansaria enquanto não encontrasse o assassino. Os dois “pareciam” bastante emocionados. Após a entrevista, um grande ponto de interrogação parece ter-se formado em torno do caso. Será que foram eles? É o que a maioria, ou grande parte dos brasileiros, deve estar se perguntando neste momento.
É bem verdade que o jornalista Valmir Salaro, que os entrevistou, foi muito bonzinho ao deixar de fazer perguntas contundentes, que poderiam ter feito com que o casal caísse em contradição. Essa atitude deixa margens a várias interpretações, inclusive a de que o repórter possa ter combinado a entrevista com os advogados do casal. Isso explicaria sua flexibilidade com os dois diante das câmeras.
Uma coisa me parece certa, a não ser que a polícia descubra uma prova cabal, que possa incriminar ou inocentar Alexandre e Ana Carolina, esse caso ainda terá muitos desdobramentos antes de ser definitivamente solucionado.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Jovem advogada condena aborto durante palestra na Newton Paiva
Marcela Amado afirmou que levaria gravidez adiante mesmo em caso de estupro
A advogada Marcela Veloso Xavier Amado apresentou, na noite da última quarta-feira (03/04), uma palestra sobre aborto para os alunos do curso de jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva (Unidade Carlos Luz 800). A apresentação teve como objetivo proporcionar aos estudantes uma visão mais ampla sobre o tema e sobre o tratamento que lhe é dado pela lei em nosso país. O evento foi realizado nas dependências do auditório do curso de secretariado, localizado na Rua Catumbi.
Marcela formou-se em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2007. O conteúdo da palestra foi extraído de seu trabalho de conclusão de curso. Logo no início, Marcela deixou claro que é contra a prática do aborto, por considerá-la um crime contra a vida. “Para mim, ele é absolutamente inconstitucional”, afirmou. A jovem bacharel apresentou um histórico do aborto em diversas culturas, desde a Grécia antiga até o século XX. Ela destacou o pensamento dos judeus, para quem o aborto era inadmissível. Ainda dentro deste tópico Marcela citou o relato bíblico de Davi e Urias.
Davi, rei de Israel, apaixonou-se pela mulher de Urias, um de seus soldados. O rei e a mulher se envolveram e ela engravidou. Receoso de que, com o passar do tempo, todos descobrissem seu adultério, Davi enviou Urias para a guerra e ordenou que fosse colocado na frente da batalha para que morresse.
Marcela destacou que, na história, em nenhum momento o rei ou sua amante cogitaram a possibilidade do aborto como forma de resolver o problema. O exemplo contrasta com as culturas grega e romana antigas, nas quais o aborto era uma prática comum e aceitável. Segundo a pesquisa de Marcela, os cristãos do primeiro século, que tiveram sua origem no povo judeu, também condenavam este recurso.
Ao falar do reaparecimento desta prática no século XX, a advogada citou quatro processos que foram fundamentais para sua reinserção: A União Soviética; A Alemanha nazista; Países escandinavos; Inglaterra e EUA (1960 / 70). Mesmo depois de tantos anos de repercussão e polêmica, ainda hoje “a maioria das pessoas não tem uma opinião formada, não tem uma opinião bem fundamentada sobre o tema”, afirmou Marcela.
O trabalho da advogada apontou algumas causas pelas quais as estatísticas sobre o aborto no Brasil seriam pouco confiáveis: É um país de dimensões continentais; os órgãos públicos são mal estruturados; é um país onde a prática do aborto é ilegal; há muitos interesses políticos e financeiros em jogo.
Mais adiante, Marcela mudou seu foco para as várias correntes de pensamento que tentam apontar o momento exato em que uma nova vida surge dentro da mulher. Um outro ponto controverso e que tem sido muito debatido. Segundo ela, em meio a tantas especulações, a maioria parece aceitar que a vida começa com a fecundação.
Ao longo de sua exposição, Macela apresentou trechos do código penal e da constituição que mencionam a prática do aborto, além de escritos de diversos autores sobre o assunto, sempre se posicionando a respeito de cada citação.
Ficou nítido que a palestrante tem uma visão cristã a respeito do aborto, fato que parece ter incomodado alguns de seus ouvintes. Mesmo assim todos ficaram bastante impressionados com sua firmeza, dedicação ao tema, e com a qualidade de seu trabalho.
Após a palestra, abriu-se um espaço para perguntas e houve questionamentos sobre a questão da gravidez resultante de estupro. Mariana Tompsom, 22 anos, aluna do terceiro período de jornalismo, perguntou à palestrante se ela levaria adiante uma gravidez nessas circunstâncias. Marcela foi enfática em sua resposta e afirmou que, mesmo diante do trauma que uma situação desse tipo acarreta, ela levaria a gravidez até o fim.
A advogada Marcela Veloso Xavier Amado apresentou, na noite da última quarta-feira (03/04), uma palestra sobre aborto para os alunos do curso de jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva (Unidade Carlos Luz 800). A apresentação teve como objetivo proporcionar aos estudantes uma visão mais ampla sobre o tema e sobre o tratamento que lhe é dado pela lei em nosso país. O evento foi realizado nas dependências do auditório do curso de secretariado, localizado na Rua Catumbi.
Marcela formou-se em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2007. O conteúdo da palestra foi extraído de seu trabalho de conclusão de curso. Logo no início, Marcela deixou claro que é contra a prática do aborto, por considerá-la um crime contra a vida. “Para mim, ele é absolutamente inconstitucional”, afirmou. A jovem bacharel apresentou um histórico do aborto em diversas culturas, desde a Grécia antiga até o século XX. Ela destacou o pensamento dos judeus, para quem o aborto era inadmissível. Ainda dentro deste tópico Marcela citou o relato bíblico de Davi e Urias.
Davi, rei de Israel, apaixonou-se pela mulher de Urias, um de seus soldados. O rei e a mulher se envolveram e ela engravidou. Receoso de que, com o passar do tempo, todos descobrissem seu adultério, Davi enviou Urias para a guerra e ordenou que fosse colocado na frente da batalha para que morresse.
Marcela destacou que, na história, em nenhum momento o rei ou sua amante cogitaram a possibilidade do aborto como forma de resolver o problema. O exemplo contrasta com as culturas grega e romana antigas, nas quais o aborto era uma prática comum e aceitável. Segundo a pesquisa de Marcela, os cristãos do primeiro século, que tiveram sua origem no povo judeu, também condenavam este recurso.
Ao falar do reaparecimento desta prática no século XX, a advogada citou quatro processos que foram fundamentais para sua reinserção: A União Soviética; A Alemanha nazista; Países escandinavos; Inglaterra e EUA (1960 / 70). Mesmo depois de tantos anos de repercussão e polêmica, ainda hoje “a maioria das pessoas não tem uma opinião formada, não tem uma opinião bem fundamentada sobre o tema”, afirmou Marcela.
O trabalho da advogada apontou algumas causas pelas quais as estatísticas sobre o aborto no Brasil seriam pouco confiáveis: É um país de dimensões continentais; os órgãos públicos são mal estruturados; é um país onde a prática do aborto é ilegal; há muitos interesses políticos e financeiros em jogo.
Mais adiante, Marcela mudou seu foco para as várias correntes de pensamento que tentam apontar o momento exato em que uma nova vida surge dentro da mulher. Um outro ponto controverso e que tem sido muito debatido. Segundo ela, em meio a tantas especulações, a maioria parece aceitar que a vida começa com a fecundação.
Ao longo de sua exposição, Macela apresentou trechos do código penal e da constituição que mencionam a prática do aborto, além de escritos de diversos autores sobre o assunto, sempre se posicionando a respeito de cada citação.
Ficou nítido que a palestrante tem uma visão cristã a respeito do aborto, fato que parece ter incomodado alguns de seus ouvintes. Mesmo assim todos ficaram bastante impressionados com sua firmeza, dedicação ao tema, e com a qualidade de seu trabalho.
Após a palestra, abriu-se um espaço para perguntas e houve questionamentos sobre a questão da gravidez resultante de estupro. Mariana Tompsom, 22 anos, aluna do terceiro período de jornalismo, perguntou à palestrante se ela levaria adiante uma gravidez nessas circunstâncias. Marcela foi enfática em sua resposta e afirmou que, mesmo diante do trauma que uma situação desse tipo acarreta, ela levaria a gravidez até o fim.
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