Bairro de origem simples abrigará o novo centro administrativo do governo de Minas
Quem diria que um bairro de origem tão humilde, localizado entre comunidades carentes da zona norte da capital, se tornaria palco da obra de construção do novo centro administrativo de Minas Gerais? O Serra Verde se originou a partir do loteamento de terras das antigas fazendas existentes naquela região. Uma das principais propriedades era a fazenda Serra Verde pertencente à família Naves, a qual deu nome ao bairro.
Até a década de1960, a população do Serra Verde se resumia aos donos e trabalhadores das fazendas. Apenas ao fim dessa década, começaram a chegar pessoas em busca de moradia própria, pois a região central de Belo Horizonte se tornara cada vez mais inacessível, devido à supervalorização dos imóveis.
Segundo Inês Maria de Carvalho, presidente da Associação de Moradores e residente no bairro há 39 anos, foi a empresa Predial Coimbra Tocantins que interveio na negociação dos primeiros terrenos. A Predial também contribuiu com a mobilização dos moradores, para a chegada de luz elétrica e água encanada às residências. A partir de 1975, a estrutura do bairro começou a se transformar completamente, com o aumento no número de moradores, construção da Escola Municipal José Maria Alkimim, primeira instituição de ensino do bairro, e a inauguração dos primeiros prédios do conjunto Serra Verde.
A obra que começou no primeiro semestre de 2006 e tem o prazo até o ano que vem para ser concluída, se realiza no local onde antes funcionava o antigo Jóquei Clube de Minas Gerais. O local foi declarado de utilidade pública por um decreto assinado pelo Governador Aécio Neves em fevereiro de 2006.
Os dois lados da moeda
A nova sede administrativa terá um parque ecológico com uma grande área de preservação ambiental. Os representantes da comunidade reivindicaram uma área de lazer aberta ao público. Porém, o Governo do Estado pretende fazer um parque fechado e com visitação restrita mediante agendamento. O padre José Haroldo, da Paróquia de São Sebastião e Santa Edwiges, afirma que está tentando, juntamente com a associação de moradores, convencer o governo a incluir a área solicitada no projeto, mas reconhece que “é muito difícil competir com o Estado, o Estado é uma máquina”.
No início da construção, a notícia da novidade foi bem aceita entre os moradores, pois muitos se queixavam da degradação do ambiente do antigo Jóquei. Mas, após alguns meses, como confirma Inês Maria, as famílias mais pobres passaram a se preocupar com problemas futuros, como o aumento do IPTU e as modernizações realizadas para a instalação do Poder Executivo.
A representante comunitária sente que o bairro irá perder sua identidade, “Aquelas casinhas humildes não vão mais existir aqui, eu creio que tudo vai mudar, então, isso põe a gente um pouco triste e apreensivo”, afirma. Ela ainda reclama da falta de respeito dos administradores da obra, que nem sequer avisaram a comunidade sobre a retirada de algumas famílias.
No entanto, Julieta Monteiro dos Santos, moradora do Serra Verde há 50 anos, diz que todos os terrenos que foram desapropriados eram invadidos. Nenhum era comprado legalmente. Ela acredita que a vinda da administração do Estado para o bairro irá contribuir para o desenvolvimento da estrutura de transportes, urbanização e segurança. Ainda afirma que não se importaria de mudar do bairro, desde que paguem o preço justo pelo seu imóvel.
Divergências à parte, o fato é que os olhos de Minas estão voltados para a região de Venda Nova. A implantação do Novo Centro Administrativo atrairá muitos investimentos para a região, que se tornará uma vitrine dos Mineiros. O local está às margens da Linha Verde e divide os municípios de Belo Horizonte, Santa Luzia e Vespasiano. A antiga fazendinha Serra Verde será, provavelmente, o bairro mais famoso da capital.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário