terça-feira, 15 de abril de 2008

Jovem advogada condena aborto durante palestra na Newton Paiva

Marcela Amado afirmou que levaria gravidez adiante mesmo em caso de estupro

A advogada Marcela Veloso Xavier Amado apresentou, na noite da última quarta-feira (03/04), uma palestra sobre aborto para os alunos do curso de jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva (Unidade Carlos Luz 800). A apresentação teve como objetivo proporcionar aos estudantes uma visão mais ampla sobre o tema e sobre o tratamento que lhe é dado pela lei em nosso país. O evento foi realizado nas dependências do auditório do curso de secretariado, localizado na Rua Catumbi.
Marcela formou-se em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2007. O conteúdo da palestra foi extraído de seu trabalho de conclusão de curso. Logo no início, Marcela deixou claro que é contra a prática do aborto, por considerá-la um crime contra a vida. “Para mim, ele é absolutamente inconstitucional”, afirmou. A jovem bacharel apresentou um histórico do aborto em diversas culturas, desde a Grécia antiga até o século XX. Ela destacou o pensamento dos judeus, para quem o aborto era inadmissível. Ainda dentro deste tópico Marcela citou o relato bíblico de Davi e Urias.
Davi, rei de Israel, apaixonou-se pela mulher de Urias, um de seus soldados. O rei e a mulher se envolveram e ela engravidou. Receoso de que, com o passar do tempo, todos descobrissem seu adultério, Davi enviou Urias para a guerra e ordenou que fosse colocado na frente da batalha para que morresse.
Marcela destacou que, na história, em nenhum momento o rei ou sua amante cogitaram a possibilidade do aborto como forma de resolver o problema. O exemplo contrasta com as culturas grega e romana antigas, nas quais o aborto era uma prática comum e aceitável. Segundo a pesquisa de Marcela, os cristãos do primeiro século, que tiveram sua origem no povo judeu, também condenavam este recurso.
Ao falar do reaparecimento desta prática no século XX, a advogada citou quatro processos que foram fundamentais para sua reinserção: A União Soviética; A Alemanha nazista; Países escandinavos; Inglaterra e EUA (1960 / 70). Mesmo depois de tantos anos de repercussão e polêmica, ainda hoje “a maioria das pessoas não tem uma opinião formada, não tem uma opinião bem fundamentada sobre o tema”, afirmou Marcela.
O trabalho da advogada apontou algumas causas pelas quais as estatísticas sobre o aborto no Brasil seriam pouco confiáveis: É um país de dimensões continentais; os órgãos públicos são mal estruturados; é um país onde a prática do aborto é ilegal; há muitos interesses políticos e financeiros em jogo.
Mais adiante, Marcela mudou seu foco para as várias correntes de pensamento que tentam apontar o momento exato em que uma nova vida surge dentro da mulher. Um outro ponto controverso e que tem sido muito debatido. Segundo ela, em meio a tantas especulações, a maioria parece aceitar que a vida começa com a fecundação.
Ao longo de sua exposição, Macela apresentou trechos do código penal e da constituição que mencionam a prática do aborto, além de escritos de diversos autores sobre o assunto, sempre se posicionando a respeito de cada citação.
Ficou nítido que a palestrante tem uma visão cristã a respeito do aborto, fato que parece ter incomodado alguns de seus ouvintes. Mesmo assim todos ficaram bastante impressionados com sua firmeza, dedicação ao tema, e com a qualidade de seu trabalho.
Após a palestra, abriu-se um espaço para perguntas e houve questionamentos sobre a questão da gravidez resultante de estupro. Mariana Tompsom, 22 anos, aluna do terceiro período de jornalismo, perguntou à palestrante se ela levaria adiante uma gravidez nessas circunstâncias. Marcela foi enfática em sua resposta e afirmou que, mesmo diante do trauma que uma situação desse tipo acarreta, ela levaria a gravidez até o fim.